Eu gosto de sentir as minhas dores intensamente, de chorar, de sofrer, de lembrar e relembrar o que me causa aquela dor, até que uma hora, a ferida cicatriza, não há mais lágrimas, as lembranças estão gastas e fica guardado só o que foi bom, demora? Muito, mas é a minha maneira que sentir, pra mim, tudo tem que ser intenso, não bebo pra esquecer as angustias, não vou pra balada beijar horrores, não sinto minha dor em doses homeopáticas, sinto tudo de uma vez. Eu me sinto, martirizo-me e quando volto, volto nova de novo e mais forte.
Minha dor me faz ver que ainda sou capaz de sentir, quando deixarmos de nos machucar, quando não restar mais com o que se machucar, então não me restará mais vida, não me restará mais nada.
A minha dor me eleva, me iguala, inferioriza-me para me fazer superior, é um antagonismo delirante, um labirinto, nunca se sabe quando vamos nos machucar, de novo, e de novo, e de novo e assim por diante, mas eu sei como quero viver as minhas dores, e quero vivê-las, todas, intensa e alucinadamente.