17 de agosto de 2015

A gente segue se iludindo

Talvez todo romântico já tenha passado por esse estágio, o de não querer mais nada, talvez passe, talvez seja uma fase, mas nesse momento o cansaço me domina de uma maneira incrivelmente deprimente.
Quantas vezes já esperei por ela em vão, como naquele dia em quê marcamos um cinema e ela não foi, ou como quando ela dizia “vamos no fim de semana pro parque” mas aí no fim de semana ela saía com os amigos de madrugada e durante o dia estava ‘morta’ e só queria ficar em casa sozinha. Quantas vezes não quis apenas ficar quieta ou mesmo conversando banalidade no colo dela, e tudo que ela queria era sexo. Recentemente me dei conta de quê sexo foi tudo o que ganhei das pessoas com quem já estive, algumas souberam camuflar melhor isso numa embalagem fajuta de carinho, algumas nem se deram ao trabalho de disfarçar isso, o que importa é que no fim só sobrou mágoa e uma espécie de desilusão amorosa.
Sinceramente, o que acontece é que sempre fui meio tola e incorrigivelmente sonhadora, sabe aquela coisa de esperar o príncipe encantado num cavalo branco, pois é, eu esperava a princesa encantada, pode até ser num cavalo branco, até gosto a rusticidade da ideia. Sempre quis aquela intimidade que a gente vê em filmes, ou lê nos romances, a ideia de ficar deitada no colo de quem a gente ama, com ela vendo um filme e eu lendo um bom livro me parece tentadora, até mesmo assistir uma partida de futebol só por que ela insiste em assistir o jogo (detesto futebol).
Nunca vi problema no sexo, muito pelo contrário alguns até falam que sou um pouco sexual no meu jeito de ser, mas me chateia que hoje em dia parece que tudo que têm a oferecer são boas noites de sexo, não sei se estou sendo exigente, romântica, infantil ou iludida mas... Eu quero mais! Quero mais que algumas boas noites de sexo, que pegação, quero mais que o desejo no olhar da pessoa que está ao meu lado. Talvez seja essa minha necessidade de mais que esteja a mudar-me, sei lá, o sexo já deixou de ser algo que me agrade. Antes me chamavam de fria por quê nunca me viram namorando, mas ninguém sabe o quanto isso pode ser deprimente ou o quanto isso te torna insegura, por vezes me sinto só um rostinho bonito e um corpo desejável, mesmo que eu não enxergue isso no espelho.

Eu sei, ou pelo menos me forço a manter a ilusão de quê em algum lugar do mundo terá alguém que me olhará nos olhos, que me incentive e queira fazer parte dos meus projetos, que se interesse em ouvir os meus planos sem sentido, que compartilhe comigo seus desejos, que me faça cócegas até eu não aguentar mais só por quê eu fiquei emburrada com algo bobo e quando eu não aguentar mais de rir me cubra de beijos, que ao invés de dizer que eu sou gostosa diga que me ama, e quando disser isso eu veja sinceridade refletida nos olhos dela, alguém que entenda que às vezes eu posso ser meio difícil de lidar mas que isso não passa de medo de perder o controle, que meu silêncio não seja um peso entre nós, que de tão íntima ela entenda a diferença dos meus olhares e calares, que ela me deixe conhecer o mundo dela, que me deixe ser o seu porto seguro ainda que isso seja clichê... É, eu sei que parece ridículo, mas quer saber, sou ridiculamente apaixonada por romances clichês, confesso e continuarei sendo, um dia quem sabe alguém me faça acreditar que o amor ainda pode dar certo.