30 de dezembro de 2015

Retalhos

Ficar horas olhando a folha em branco, querendo escrever mas sem conseguir pois formam-se redemoinhos de palavras, tempestade de sentimentos em você, um verdadeiro apocalipse de pensamentos, mais um pouco e perco a sanidade.
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Hoje descobri uma vida se esvaindo em mim, deveria ser algo bom e de certa forma esperada mas é estranho, apenas isso.
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Passamos a vida com as pessoas sem saber do que elas são capazes, até que elas o fazem, amigos de anos tornam-se estranhos com uma única frase, de repente você está só com seus problemas, estranhos tornam-se seu reduto, sua distração momentânea dos problemas, com abraços compreensivos, risadas soltas, palavras sábias, gestos doces e olhares que entendem tudo sem saber de nada, deixa de ser estranho para ser porto.
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Eu que sempre tive um controle absoluto do que sinto, com algumas escorregadelas sutis mas sempre com as rédeas em mãos, sinto-me numa nau abandonada em alto mar, há hora em que a maré é suave, calma e quase me leva há uma paz karmica mas sei que é apenas uma questão de seguir em frente para encontrar-me com a tempestade e esta minha amiga, tem vindo com todo o tormento que lhe é de direito, por vezes acho que a viagem será longa e angustiante mas tenho a esperança de que logo alcançaremos o porto, uma baia, um cais, uma paz... Seja ela qual for, pois nessa nossa jornada não há de ter vitoriosos ilesos. Esse meu barco sem capitão já passou batalhas injustas mas necessárias talvez, afinal tudo que acontece é por que deveria acontecer, as avarias são tantas que já não dá para contar, há buracos que o levam ao fundo do (a)mar mas ele é persistente e não há de ser engolido pelo canto de qualquer sereia, por mais bela que seja, por mais doce que pareça, por mais encantada que seja aos nossos olhos. Cara amiga, desculpe a retórica mas tenho tido grandes problemas ao escrever-te esta carta, o sol já me esquenta a fronte e avisto o amor ante meus olhos, uma miragem quase dolorosa frente a tantas tempestades mas é meu delírio que me mantém sã, entre tanta solidão desse (a)mar sem fim tu me viestes, cara amiga, como o sopro do vento bagunçando meus cabelos em uma tarde primaveril sobre as Pedras do Arpoador. Não me queiras mal estimada amiga se te deixo essas linhas debilmente escritas, mas há em meus ser uma indefinição de mim.

11 de novembro de 2015

O meu futuro, seu passado

Oi peste, eu só queria dizer que estou seguindo em frente, que a saudade já não dói tanto mas ainda ouço Mesmo Sozinho do Nando pensando em você, queria explicar que você não deixou de ser importante, nunca deixará, só não é mais prioridade e não me fere mais apesar de concordar que só distante posso assegurar isso, queria dizer que sempre peço ao universo que você seja muito feliz e que a vida não lhe seja tão dura, ou que seja se isso lhe trouxer mais satisfação no futuro afinal espinhos são necessários para que hajam lindas flores.

Princesa, talvez essa seja minha última menção a você, talvez a última vez que lhe chame de princesa, ainda que nessas páginas sem vida em que escrevo, a verdade é que não digo com certeza isso pois não sei o que será do meu futuro ou do seu, mas sei que no meu futuro mais próximo não cabe você ou os espinhos que me deste. Pequena não me leve a mal, por favor, apenas te quero bem, todo amor que não pude lhe dar e muita paz; agora Nando me diz que "passou alguém perfumado e quase pude te ver", eu o entendo perfeitamente, mas quer saber quero deixar novos perfumes me encantarem, ainda que demore, ainda que outros perfumes não me agradem, me encanta a ideia de um novo começo. Nem sei se faço muito sentido nessas linhas, mas deixei de me importar com o sentido das coisas quando dissemos adeus e só reparei nisso nesse fim de semana, aquele conhaque falou muito sem nada dizer.

Bom, é isso peste, espero que se cuide, que se ame, que viva, que rias, que ame e deixe o amor florescer na tua vida, que se deixe ser amada, vou continuar meu caminho, te deixo nessa estação, como um quadro lindo e único que passou por mim e marcou-me alma mas não é o que me faz sentir "em casa".

Bela, te amei e te deixo amar para voltar a amar, ame pois a vida passa  rápido de mais e quando ver já podes ter desperdiçado todo o amor em orações inúteis sem ações.

Com carinho, seu passado.

10 de outubro de 2015

Ímpar



Lacking Stability by Agnes Cecile

Por todos os olhares teus em que já me perdi
Em todos os beijos não dados
Sigo sendo sua sem ser
Te tenho mas te deixo ir
Efemeramente ligadas por um amor sem laços.

Pelas noites insones
Entre sonhos tão vívidos que me tirão a sanidade
Sozinha na escuridão dos pesamentos
Transeuntes em uma mente inquieta
Escrava dos desejos não ditos

Passam dias, semanas, meses...
Eminente moça dos dias que foram
Saudosa de teus abraços
Transformo o amor que trago no peito
Em júbilo particular e solitário.

29 de setembro de 2015

Quase eu

Em meio ao limbo no que me encontro é quase possível sentir os ossos a ranger, o coração não mais bate, os olhos não brilham, não têm por quê de brilhar -se, os pensamentos são os cadeados que mantém-me nesse caminho tortuoso, a saudade é o espinho a perfurar-me o que me resta da carne, talvez o coração seja o que de mais vívido ainda me resta mas ele tem batido numa cadência lenta, quase sinto o amor esvaindo-se por entre o que me sobrou de mim, quase sinto.... Quase sinto o amor, a dor, a calma, o desespero, quase sinto a vida e meu limbo pessoal é quase sentir-me inteira sem o ser.

17 de agosto de 2015

A gente segue se iludindo

Talvez todo romântico já tenha passado por esse estágio, o de não querer mais nada, talvez passe, talvez seja uma fase, mas nesse momento o cansaço me domina de uma maneira incrivelmente deprimente.
Quantas vezes já esperei por ela em vão, como naquele dia em quê marcamos um cinema e ela não foi, ou como quando ela dizia “vamos no fim de semana pro parque” mas aí no fim de semana ela saía com os amigos de madrugada e durante o dia estava ‘morta’ e só queria ficar em casa sozinha. Quantas vezes não quis apenas ficar quieta ou mesmo conversando banalidade no colo dela, e tudo que ela queria era sexo. Recentemente me dei conta de quê sexo foi tudo o que ganhei das pessoas com quem já estive, algumas souberam camuflar melhor isso numa embalagem fajuta de carinho, algumas nem se deram ao trabalho de disfarçar isso, o que importa é que no fim só sobrou mágoa e uma espécie de desilusão amorosa.
Sinceramente, o que acontece é que sempre fui meio tola e incorrigivelmente sonhadora, sabe aquela coisa de esperar o príncipe encantado num cavalo branco, pois é, eu esperava a princesa encantada, pode até ser num cavalo branco, até gosto a rusticidade da ideia. Sempre quis aquela intimidade que a gente vê em filmes, ou lê nos romances, a ideia de ficar deitada no colo de quem a gente ama, com ela vendo um filme e eu lendo um bom livro me parece tentadora, até mesmo assistir uma partida de futebol só por que ela insiste em assistir o jogo (detesto futebol).
Nunca vi problema no sexo, muito pelo contrário alguns até falam que sou um pouco sexual no meu jeito de ser, mas me chateia que hoje em dia parece que tudo que têm a oferecer são boas noites de sexo, não sei se estou sendo exigente, romântica, infantil ou iludida mas... Eu quero mais! Quero mais que algumas boas noites de sexo, que pegação, quero mais que o desejo no olhar da pessoa que está ao meu lado. Talvez seja essa minha necessidade de mais que esteja a mudar-me, sei lá, o sexo já deixou de ser algo que me agrade. Antes me chamavam de fria por quê nunca me viram namorando, mas ninguém sabe o quanto isso pode ser deprimente ou o quanto isso te torna insegura, por vezes me sinto só um rostinho bonito e um corpo desejável, mesmo que eu não enxergue isso no espelho.

Eu sei, ou pelo menos me forço a manter a ilusão de quê em algum lugar do mundo terá alguém que me olhará nos olhos, que me incentive e queira fazer parte dos meus projetos, que se interesse em ouvir os meus planos sem sentido, que compartilhe comigo seus desejos, que me faça cócegas até eu não aguentar mais só por quê eu fiquei emburrada com algo bobo e quando eu não aguentar mais de rir me cubra de beijos, que ao invés de dizer que eu sou gostosa diga que me ama, e quando disser isso eu veja sinceridade refletida nos olhos dela, alguém que entenda que às vezes eu posso ser meio difícil de lidar mas que isso não passa de medo de perder o controle, que meu silêncio não seja um peso entre nós, que de tão íntima ela entenda a diferença dos meus olhares e calares, que ela me deixe conhecer o mundo dela, que me deixe ser o seu porto seguro ainda que isso seja clichê... É, eu sei que parece ridículo, mas quer saber, sou ridiculamente apaixonada por romances clichês, confesso e continuarei sendo, um dia quem sabe alguém me faça acreditar que o amor ainda pode dar certo.

6 de junho de 2015

Monólogo Banal

Obra do polonês Beksinski

No fim, o que somos nós se não um amontoado de opiniões, de momentos bem ou mal vividos, um mundo de comunicações inacabadas, amores gastos ou de paixões medíocres, onde deixamos de ser nós e tornamo-nos objeto de segunda mão de uma sociedade perturbadora e mesquinha, na correria dos dias que se foram, e provavelmente dos que virão, perdemo-nos e sequer sabemos onde nem mesmo o que nos tornamos.
Há na humanidade atual uma dificuldade nata na entrega, ou seria entrega de mais, não sei bem. Confunde-se o doar-se com tornar-se o outro, é tanto agrado necessário e desnecessário, tantas vontades, tantos deveres, intrigas, obrigações, tantas palavras vazias, tão poucas flores, tão pouco amor próprio que tornarmo-nos malfeitores de nós mesmos, no meio do caminho o incomum nos perturba, ainda que seja parte de nossa humanidade que já não sabemos distinguir, nos causa repulsa e nos leva a animalidade, ao egoísmo vil e covarde.
É tudo tão automático, como as máquinas que fizemos outrora, tornamo-nos parte delas, fazemos tudo como um robô e na escuridão de nós mesmos lamentamos a falta do ‘Ser’, lamentamos a perda de outrora, tão desajeitadamente procuramos a saída que não se faz eficaz, de fato a única saída é entrarmos em nós, encontrarmo-nos, talvez se pudermos encontrar a essência de quem somos possamos tornarmo-nos humanos novamente.