Ficar horas olhando a folha em branco, querendo escrever mas sem conseguir pois formam-se redemoinhos de palavras, tempestade de sentimentos em você, um verdadeiro apocalipse de pensamentos, mais um pouco e perco a sanidade.
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Hoje descobri uma vida se esvaindo em mim, deveria ser algo bom e de certa forma esperada mas é estranho, apenas isso.
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Passamos a vida com as pessoas sem saber do que elas são capazes, até que elas o fazem, amigos de anos tornam-se estranhos com uma única frase, de repente você está só com seus problemas, estranhos tornam-se seu reduto, sua distração momentânea dos problemas, com abraços compreensivos, risadas soltas, palavras sábias, gestos doces e olhares que entendem tudo sem saber de nada, deixa de ser estranho para ser porto.
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Eu que sempre tive um controle absoluto do que sinto, com algumas escorregadelas sutis mas sempre com as rédeas em mãos, sinto-me numa nau abandonada em alto mar, há hora em que a maré é suave, calma e quase me leva há uma paz karmica mas sei que é apenas uma questão de seguir em frente para encontrar-me com a tempestade e esta minha amiga, tem vindo com todo o tormento que lhe é de direito, por vezes acho que a viagem será longa e angustiante mas tenho a esperança de que logo alcançaremos o porto, uma baia, um cais, uma paz... Seja ela qual for, pois nessa nossa jornada não há de ter vitoriosos ilesos. Esse meu barco sem capitão já passou batalhas injustas mas necessárias talvez, afinal tudo que acontece é por que deveria acontecer, as avarias são tantas que já não dá para contar, há buracos que o levam ao fundo do (a)mar mas ele é persistente e não há de ser engolido pelo canto de qualquer sereia, por mais bela que seja, por mais doce que pareça, por mais encantada que seja aos nossos olhos. Cara amiga, desculpe a retórica mas tenho tido grandes problemas ao escrever-te esta carta, o sol já me esquenta a fronte e avisto o amor ante meus olhos, uma miragem quase dolorosa frente a tantas tempestades mas é meu delírio que me mantém sã, entre tanta solidão desse (a)mar sem fim tu me viestes, cara amiga, como o sopro do vento bagunçando meus cabelos em uma tarde primaveril sobre as Pedras do Arpoador. Não me queiras mal estimada amiga se te deixo essas linhas debilmente escritas, mas há em meus ser uma indefinição de mim.
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