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| Obra do polonês Beksinski |
No fim, o que somos nós se não um amontoado de opiniões, de
momentos bem ou mal vividos, um mundo de comunicações inacabadas, amores gastos
ou de paixões medíocres, onde deixamos de ser nós e tornamo-nos objeto de
segunda mão de uma sociedade perturbadora e mesquinha, na correria dos dias que
se foram, e provavelmente dos que virão, perdemo-nos e sequer sabemos onde nem
mesmo o que nos tornamos.
Há na humanidade atual uma dificuldade nata na entrega, ou
seria entrega de mais, não sei bem. Confunde-se o doar-se com tornar-se o
outro, é tanto agrado necessário e desnecessário, tantas vontades, tantos
deveres, intrigas, obrigações, tantas palavras vazias, tão poucas flores, tão
pouco amor próprio que tornarmo-nos malfeitores de nós mesmos, no meio do
caminho o incomum nos perturba, ainda que seja parte de nossa humanidade que já
não sabemos distinguir, nos causa repulsa e nos leva a animalidade, ao egoísmo
vil e covarde.
É tudo tão automático, como as máquinas que fizemos outrora,
tornamo-nos parte delas, fazemos tudo como um robô e na escuridão de nós mesmos
lamentamos a falta do ‘Ser’, lamentamos a perda de outrora, tão
desajeitadamente procuramos a saída que não se faz eficaz, de fato a única
saída é entrarmos em nós, encontrarmo-nos, talvez se pudermos encontrar a essência
de quem somos possamos tornarmo-nos humanos novamente.

Um comentário:
Que texto sábio! Assista Waking Life ( de preferência de cabeça feita)
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