27 de dezembro de 2014

Abandono

Vivia envolta num mistério que nos embriagava
Era de uma sutileza real e de olhares melancólicos
Tinha aqueles sorrisos,
Doces mentiras moldadas em lábios que tentavam a carne

A imaginação tornava tudo menos doloroso
Tentar ao outro era uma maneira de sentir-se viva
Ela chamava atenção, como uma joia raríssima
Bela, preciosa e fria

Os olhos que se voltavam para ela,
Com luxúria, tesão, desejos jamais ditos
Alimentavam um’alma fadada a solidão
Imposta por um abandono mordaz

Quisera ela conhecer os segredos do amor
Mas de amor, pouco sabia
Com a certeza de nunca conhecê-lo
Abandonava-se em paixões fugazes.

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