6 de junho de 2015

Monólogo Banal

Obra do polonês Beksinski

No fim, o que somos nós se não um amontoado de opiniões, de momentos bem ou mal vividos, um mundo de comunicações inacabadas, amores gastos ou de paixões medíocres, onde deixamos de ser nós e tornamo-nos objeto de segunda mão de uma sociedade perturbadora e mesquinha, na correria dos dias que se foram, e provavelmente dos que virão, perdemo-nos e sequer sabemos onde nem mesmo o que nos tornamos.
Há na humanidade atual uma dificuldade nata na entrega, ou seria entrega de mais, não sei bem. Confunde-se o doar-se com tornar-se o outro, é tanto agrado necessário e desnecessário, tantas vontades, tantos deveres, intrigas, obrigações, tantas palavras vazias, tão poucas flores, tão pouco amor próprio que tornarmo-nos malfeitores de nós mesmos, no meio do caminho o incomum nos perturba, ainda que seja parte de nossa humanidade que já não sabemos distinguir, nos causa repulsa e nos leva a animalidade, ao egoísmo vil e covarde.
É tudo tão automático, como as máquinas que fizemos outrora, tornamo-nos parte delas, fazemos tudo como um robô e na escuridão de nós mesmos lamentamos a falta do ‘Ser’, lamentamos a perda de outrora, tão desajeitadamente procuramos a saída que não se faz eficaz, de fato a única saída é entrarmos em nós, encontrarmo-nos, talvez se pudermos encontrar a essência de quem somos possamos tornarmo-nos humanos novamente.

Um comentário:

Anônimo disse...

Que texto sábio! Assista Waking Life ( de preferência de cabeça feita)