E então passo a vida toda lutando, exagero a parte, lutando
contra o adeus que não veio, a amizade desfeita, os laços quebrados, contra o
pranto de saudade, lutando contra si mesmo numa vã tentativa de não perder-se,
mas então me perco. Perco-me nesse amontoado de sentimentos enjaulados, me
perco a tal ponto de não saber mais quem sou, por onde passei; minha história
já não é tão certa quanto imaginava, eu já não sou a mesma de anos atrás, nem
poderia independente das circunstâncias, nunca somos os mesmo de ontem. Não consigo me lembrar do último sentimento de
amor expressado, de maneira espontânea, leve, livre de qualquer
superficialidade, nem sei mais como expressar tudo que guardo aqui, sumir já
não é mais suficiente, tenho aquela vontade quase infantil de tirar a casca e
ver sangrar, sentir a dor latejando no peito, apenas por sentir, algo quase
masoquista; qualquer sentimento é melhor que isso, esse nada.

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