13 de março de 2011

Descomunhão

Meus olhos ardem por lágrimas que não se libertam.
O peso de sentir-se fora de órbita é imensamente aterrorizante, esmagadora...
Talvez não fosse tão ruim se não desse a importância que dou, mas a saudade aperta, e quando se passa mais de ½ hora com o ser saudoso, retorna então o sentimento de deslocamento que te atormentava.


Ela se sentia bem só, ainda que com saudade de entes tão queridos, mas ao menos de longe, ela não se sentia tão fora do seu mundo. Quando todos se unem, primeiro a felicidade do reencontro, depois a sensação de não pertencer, de não se encaixar, não fazer parte.
A distância, a falta de contato, de visitas, enfim a ausência, nunca se deu por falta de amor, de carinho ou preocupação, jamais, ela os amava, os ama e disso sempre tivera certeza, a ausência ano após ano, se dava por nunca se sentir “em casa” entre tantos conhecidos amados mas que de alguma forma a faziam sentir  um “peixe fora d’água”.
Ela orava, dia e noite, pela felicidade de cada um, para que nunca se esquecessem dela, para que nunca perdessem aquela união, aquele laço do qual ela nunca foi parte, mas que apreciava de longe, com grande alegria... Em contrapartida com grande tristeza por não saber o que era aquele sentimento de sentir-se “em casa”.
Ela orará cada dia de sua vida, para que esse laço nunca se quebre, para que perpetue durante todas as gerações, ela orará inda que na ausência... ela orará.

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